Tirando férias das férias
Fazem um pouco mais de duas semanas que estou na Europa. Digo Europa, porque dois dias depois de eu ter chego na Alemanha, saí de férias com a minha família. Ficamos dez dias viajando pela Bretagne, costa da França. Fomos de carro, levamos umas 8 horas de Nümbrecht à Bretagne, o tempo passou muito rápido porque sempre havia algum lugar pra observar.
Pela estrada é muito comum observar lugares para fazer uma parada, com banheiros, mesas, alguns com lojas de conveniências, postos. Também é muito comum ver os europeus fazendo picnics, eles adoram levar sanduíches, frutas, salada, paras as viagens. Bom, minha família adora fazer isso. Além de que não é muito fácil ir sempre à restaurantes com uma família de cinco pessoas, e os restaurantes daqui são muito caros.
Conheci algumas cidades como Dinan, Morlaix, Landrellec, Camaret, Crozon, Plévenon, Le Cap Fréhel, fui também ao Le Mont Saint-Michel. Todos os lugares são lindos, e as praias francesas tem a água esverdeade, e transparente.
É muito difícil achar alguém na França que fale inglês (pelo menos em Bretagne), ao contrário da Alemanha, que praticamente todos falam, até mesmo as pessoas mais velhas. Os europeus também andam muito de bicicleta, tomam muita água com gás, são muito educados, simpáticos, e muito bonitos e se vestem muitos bem. Também a maioria das pessoas possue olhos claros, cabelos claros.
Mas viajar durante 10 dias com irmãos pequenos também não é muito fácil. Ainda mais quando nunca se teve irmãos. Bom, no carro eles passavam a maior parte do tempo falando, ou as vezes brigango, se biliscando, tudo começava como brincadeira, mas depois se tornava uma guerra. Também adoravam de vez em quando começar a um falar Nein (não), Ja (sim), e assim ia, Nein, Ja, Nein, Ja…
Filhos únicos sempre sonham em ter irmãos, ou irmãs, mas estou muito feliz em saber que no Brasil eu sou a única filha. Mas vendo pelo lado positivo, voltarei muito mais calma, paciente, compreensiva.
Mas agora que voltamos em casa, a paz voltou a reinar, e as brigas são um pouco mais raras. Talvez seja porque no carro eles tivessem que se aturar por muito tempo, e não tinham escolha. Mas são meninos muito legais, queridos, e tentam me ensinar alemão. Apenas o Sebastian que de vez em quando me ensina errado, como ele me disse que o Limão era amargo, e não azedo.
Estou muito feliz com a minha família, são todos muito legais, me tratam muito bem. Me ajudam com o alemão. Antes eles estavam falando comigo em inglês, mas eu pedi pra que daqui em diante eles só falem alemão comigo, se não, não vou conseguir aprender. Então eles tentam falar devagar, fazer gestos, e assim eu vou entendendo. E sempre me dizem que a cada dia eu estou melhor, já consego ficar um dia só falando alemão.
Apenas a minha casa é um pouco afastada, e é difícil se locomover. O ônibus passa apenas 3 vezes ao dia, então eu dependo bastante dos meus pais para ir aos lugares. Minha cidade também não é muito grande, mas é muito bonita, e tem tudo o que se precisa.
É legal morar em uma cidade pequena, todos vem perguntar se eu sou a intercambista, querem saber de onde venho, perguntam se eu falo espanhol ( porque todos acham que no Brasil falamos espanhol), e quando digo que não, algumas pessoas ficam bem intrigadas, e falam: aah, vocês falam brasileiro né? Realmente eles não sabem muitas coisas sobre o nosso país.
Até conversando com meus pais, eles disseram que antes de conhecerem e buscarem informações sobre o Brasil, achavam que aqui a população predominante era descente de africanos, e as únicas coisas que se destacavam eram o futebol, e a amazônia. Espero que esse ano eu posso mostrar que o Brasil é muito mais do eles pensam.
Bom, esta é a minha última semana de férias. Por um lado estou bem feliz por conhecer pessoas, fazer amigos. Também já fui ao colégio escolher minhas matérias: Matemática, Química, Biologia, Política, Filosofia (fui obrigada a escolher, porque precisava ter duas ciências humanas, imagina filosofar em alemão. Acho que falar alemão já é filosofar), Artes, Músicas e Esportes. Aqui eles não possuem Geografia, deve ser por isso que não sabem nada do Brasil. E em história eles focam a história alemã.
Então é isso, quando eu puder contarei mais sobre minha nova vida em Nümbrecht.
Beijos, muitas saudades
